sexta-feira, 12 de maio de 2017

A ponta do Iceberg 06/05/2017

A resiliência das mulheres vítimas de violência doméstica- Um estudo de famílias acompanhadas na ASC. (Associação Saúde Criança)


Minha intenção em falar sobre a resiliência de mulheres que sofreram violência doméstica, particularmente, surgiu das experiências vivenciadas dentro do meu lar, quando criança.
Lembro claramente do meu pai agredindo a minha mãe. Em uma dessas agressões, ele torceu o braço dela até quebrar. Ela fugia, mas sempre voltava por nós, pelos filhos. A última vez em que ele bateu nela, a pior de todas, ele deu socos por várias vezes e colocou uma arma na cabeça dela. Foi de madrugada e eu fui a primeira a acordar, a porta do quarto deles estava aberta, eu vi muito sangue em suas roupas e quando vi a arma pensei que ele já tinha atirado nela e entrei em choque. Escutava ela gritando para que eu pedisse socorro, mas não conseguia me mover, eu tinha 10 anos. Meu irmão (11 anos) acordou e abriu a janela e começou a gritar por socorro e eu continuei imóvel, só olhando, sem conseguir agir. Meu pai ficou disparando a arma, a arma estava travada e ele saiu da cama, passou por mim e eu nem me mexi, ele foi pra cozinha limpar a arma e colocar mais bala. Nesses segundos, minha mãe pulou uma meia parede e fugiu pela janela da sala. Quando ele ouviu o barulho na sala, ele correu para pegá-la, mas ela já tinha se escondido. Então ele começou a espancar o meu irmão, ele o jogava no chão e chutava. Pois meu pai achava que se minha mãe ouvisse os gritos de dor do meu irmão, ela voltaria para socorrê-lo.
Hoje em dia meu irmão fala que ele não aguentava mais apanhar e que se soubesse onde minha mãe estava escondida, ele teria contado, e minha mãe diz que tinha certeza que se tivesse voltado o meu pai a teria matado. E todos nós temos certeza disso.

No começo do meu estágio, ainda quando eu observava os atendimentos, me deparei com um relato de uma usuária, na entrevista feita pela Assistente Social, na Instituição Saúde Criança. A associação Saúde criança atende famílias que vivem abaixo da linha da pobreza, com crianças doentes. As famílias são reestruturadas através do plano de ação que compreende cinco áreas: Saúde, geração de renda, moradia, educação e cidadania. A assistência é dada às crianças oriundas de internação em unidades públicas de saúde (Hospital da Lagoa e Hospital Maria Amélia Buarque de Holanda) e suas famílias, visando quebrar o círculo vicioso miséria-doença-internação-alta-reinternação- morte, e criar condições de melhoria de saúde e bem-estar, além de promover a auto-sustentação e inclusão social através de uma visão integral da saúde.
Durante a avaliação inicial (entrevista) J. relatou o seu histórico familiar no qual foi identificado várias formas de violência. Quando criança sofreu violência física por parte da mãe e do padrasto, seu padrasto também tentou estuprá-la, pois já havia estuprado sua irmã mais velha, na época ela com 10 anos e sua irmã com 12 anos, seu pai já era falecido. Diante dessa situação, ambas fugiram de casa e pediram ajuda a guardas do município de Rio das Ostras, local em que moravam, porém foram estupradas por eles, conseguiram fugir e pedir ajuda em um restaurante da cidade. O casal dono do restaurante acolheu J. e sua irmã e levaram as mesmas à delegacia da cidade, chegando ao local os guardas estavam lá e a mãe de J. foi chamada na delegacia.  J. disse  que na época não entendeu o motivo de sua mãe receber uma quantia da mão do delegado.
 J. e a irmã foram levadas para hospital, porque ela apresentou hemorragia. Depois o ocorrido se espalhou pela cidade e as duas foram para um abrigo. Passado um ano sua irmã foi transferida para um abrigo no Rio de Janeiro, pois o abrigo do local só acolhia meninas até 12 anos, desde então perdeu o contato com a irmã. Quando completou 13 anos diante do juiz J. pôde decidir entre voltar a morar com a mãe e com o padrasto ou ir para um abrigo no município no Rio de Janeiro. A mesma relatou que ficou com muito medo de ir para um local longe que não conhecia ninguém e optou por voltar a morar com sua mãe e seu padrasto. Falou que lembra que foi recepcionada por sua mãe com uma surra, pois disse que havia dado muita dor de cabeça para ela.
J. continuou o relato dizendo que conheceu um rapaz da região e logo se casaram, disse que em pouco tempo engravidou e as coisas mudaram, ele passou a agredi-la fisicamente e como não tinha apoio de ninguém, pois sofria preconceito por parte da família do seu  marido por já ter morado em abrigo, sofria calada. Falou que precisou ser acompanhada por psiquiatra e passou a tomar remédio controlado e que depois disso percebeu que por duas vezes foi estuprada pelo seu marido enquanto dormia. Falou que as crianças também sofreram violência física, relatou que uma das vezes um de seus filhos que na época estava com uma ano de idade foi levado do por seu marido para a beira da estrada e deixado para ser atropelado. Após esses episódios J. fez um boletim de ocorrência contra seu marido e se separaram.



Atualmente o ex-marido J. está proibido judicialmente  de se aproximar dela e de seus filhos.

Minhas indagações, está em querer saber se a minha mãe e essas mulheres (pois identifiquei na instituição outros casos, de mães que sofreram algum tipo de violência) passaram pelo processo de resiliência.

Será que é possível ser resilientes após passar por tantos traumas? 

07/03/2017

Se eu não tenho um namorado é porque ainda não apareceu ninguém que vale apena, ficar com qualquer um só para mostrar que estou com alguém, é preferível  que eu fique sozinha. Queria muito que as pessoas próximas de mim entendessem que eu não vou ficar com um homem casado só porque estou sozinha, que não vou sair por aí fazendo sexo com o primeiro que aparece só para "sair" da carência. Que só porque nunca apresentei um namorado que vou ser lésbica por isso, não vejo nenhum problema nisso, mas sou heterossexual, só que ainda não apareceu ninguém pra mim. Já me apaixonei e não deu certo, foi uma das piores coisas que aconteceu na minha vida. Fui magoada demais. Sim, eu posso escolher, e vou escolher com certeza! Há uns três anos, falaram pra minha mãe que sou lésbica e por isso nunca apresentei um namorado, nossa! Chorei, não porque fiquei ofendida, mas porque eu sou uma pessoa que vivo pisando em ovos com a minha mãe, nossa relação sempre foi complicada e na maioria das vezes espero a aprovação dela, espero que ela me ame e me admire. Nesse dia fui dormir chorando e minha madrinha (Dindon, assim que a chamo) ficou fazendo carinho na minha cabeça e falando o quanto sou importante e que não deveria dar tanta importância pra fofocas...
Voltei neste assunto porque essa semana esses dois assuntos voltaram, uma pessoa  perguntou pra uma amiga se ela ficaria comigo e uma outra amiga quer que eu fique com um cara que acabou de sair de um casamento e quando eu disse que não quero ficar com ele, ela perguntou   “ você está podendo escolher¿” e dentro de mim as palavras começaram a gritar, Sim, Sim, sim , mil vezes sim!
Só queria que as pessoas entendessem que eu realmente não sinto atração por mulheres, pois se eu sentisse seria normal, pois eu respeito todas as formas de amor!
Eu posso escolher o cara que eu quero pra minha vida sim. E não vou querer menos do que eu sei que eu mereço ter, não estou aqui pra tapar buraco de ninguém, não vou ficar com alguém que acabou de sair de um relacionamento e que não esteja preparado de fato pra entrar em outro. E é obvio que este cara não está preparado para está com outra pessoa.
As vezes me sinto muito sozinha, só eu sei no meu íntimo o quanto quero ter um namorado, alguém pra conversar, pra ir no cinema comigo, no teatro, até comprar livros, fazer as coisas que gosto. Sexo, claro, por que não¿ quem não gosta de sexo né¿ mas eu não consigo fazer sexo com alguém que eu não confie e que esteja de fato comigo, sou assim, não tem haver com santidade, mas com algo que  vai muito além de duas pessoas numa cama. Acredito que trocamos energias, é ao meu vê é algo muito intimo e que não dar pra ser tão banalizado e nunca vou querer qualquer um me tocando. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Relacionamentos

"Desculpa sair tão rápido da sua vida, esqueci de me despedir. É que tenho pressa em ser feliz."

Outro dia li um texto numas das redes sociais que falava sobre os relacionamentos de hoje em dia, que não são duradouros porque as pessoas não tentam o suficiente, que terminam por qualquer coisa, que antigamente as pessoas "concertavam as coisas" "que não jogavam fora e trocavam por outras"... comecei a questionar o texto, na verdade é um texto bem profundo, sobre amor, sobre o quanto as pessoas devem lutar por um casamento. Pensando sobre o texto, vendo os relacionamentos de amigos próximos, vi que quem escreveu esse texto está muito enganado, se precipitou em falar de uma verdade, no seu olhar, que só ele e alguns mais sentiram,vivenciaram. Pois, ao meu redor tem muitas pessoas levando e lutando por um relacionamento que já deveriam terem mandado para o espaço, buscado outros amores e outras histórias. Acredito que todas as pessoas que querem ser feliz, devem realmente encontrar essa felicidade, mas o que vejo é pessoas infelizes para outras serem felizes. Não entre nessa onda desse texto de que devem ficar num relacionamento ruim, que devem constantemente fazer o relacionamento dar certo, não se desgaste, ninguém ama sozinho, se tiver que abrir mão, abra sem medo do que os outros vão achar ou falar, você não é fraca por isso, enquanto as pessoas apontam o dedo e dizem o que você deve ou não fazer, essa mesma pessoa está vivendo e cometendo alguns erros, seja consciente ou não, o que quero que entenda é que somos feitos de escolhas, se você escolhe ficar carregando um relacionamento que te faz infeliz, essa escolha é sua. Mas não aceite menos do que você merece, acredite no seu potencial, não queira qualquer "coisa" só para mostrar que tem alguém, queira alguém para dividir coisas boas com você, uma risada, uma conquista, um beijo, tudo o que for bom, etc.

BÊ <3

quarta-feira, 15 de abril de 2015

decepções (cada um por si...)

___ Decepções, o que fazer?

___ Há, pega um copo de água e mistura, faz um chá, nada de açúcar, nem adoçante!
Engole de uma vez só, não faz cara feia menina, que depois vão perguntar porque você tem essa cara
amarrada e que você está sempre mal humorada, que tem cara de poucos amigos...mas se perguntarem porque tens cara de poucos amigos, não se intimide, nem tenha vergonha de dizer que seus amigos se foram aos poucos, e você simplesmente cansou de passar por todos os processos novamente, conhecer, brigar, amar, perdoar, se  decepcionar...

Moça, vai aprendendo que contos de fadas é lorota pra iludir a humanidade, a realidade não é colorida os castelos são um monte de areia, a primeira tempestade vai desmoronar e não adianta fazer beicinho, ver se cresce!

Cresce o mais rápido que puder, sai dessa fantasia, os livros mexeram com seu cérebro. Você acredita mesmo na bondade humana? por favor, né?

Que mundo perfeito, cheio de ternura, o céu tem gaivotas, o amor existe, a confiança é um  bem respeitado e precioso, crianças não passam fome nem frio...

___ Olhem só, já está sonhando de novo, o que  posso fazer por você? desisto, não foi falta de aviso, estou indo embora...

Tudo bem, já estou acostumada, todos vão, sempre, já não me iludo mais, nem crio expectativas, a vida é dura demais para viver com medo e deixar de acreditar que um dia tudo poderá ser diferente, talvez alguém queira ficar no meu mundo, talvez eu não seja tão perversa assim!

sábado, 21 de março de 2015

Livros



 "Eu coleciono livros da mesma forma que minhas amigas compram bolsas de grife. Às vezes, só gosto de saber que os tenho e lê-los de fato não vem ao caso. Não que eu não termine lendo-os todos, um por um. Eu os leio. Mas o mero ato de comprá-los me deixa alegre - o mundo é mais promissor, mais satisfatório. É difícil explicar, mas eu me sinto, de alguma forma, mais otimista. A totalidade do ato simplesmente me faz feliz."

Amo livros, sou muito apaixonada por livros <3

Alguém que ame de verdade


-Por que as pessoas boas escolhem as pessoas erradas?
-A gente aceita o amor que acha que merece.
As Vantagens de ser Invisível
 __ em cada canto do mundo há alguém que está sofrendo, porque tem medo de ficar sozinho, então aceita qualquer coisa, aceita ser só mais uma numa cama fria, aceita ser humilhada, porque aderiram o "o melhor com ele do que sem ele"...infelizmente muitas pessoas vivem de migalhas porque acreditam que fulano um dia vai mudar e tratá-la com respeito, que quando casar as coisas mudarão. Se um cara te trata mal quando está com os amigos,  te deixa plantada esperando por horas e horas, não se preocupa com você, está pessoa vai continuar a te tratar dessa forma sempre, porque quando  te tratou assim pela primeira vez e você aceitou e continuou com ela é como se você estivesse dizendo "eu te aceito do jeito que você é",  então minha amiga, lamento dizer que você vai ter que engolir muitos sapos, até acreditar que você merece ser respeitada, que merece alguém que te ame e demonstre isso, que respeite você. Porque se ele te ama de verdade ele vai te ligar, vai se esforçar pra chegar na hora marcada, vai te levar pra sair, vai te surpreender quando você menos esperar, essa pessoa vai querer estar com você pelo simples fato de gostar da sua companhia.Então, se ame mais, se modifique, não aceite qualquer coisa! Você merece sim um amor desses de novela, de filmes românticos onde o cara faz de tudo pra ter a pessoa amada!


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

pandemônio

Tudo o que eu queria era que você me falasse: “Acho que você não quer mais falar comigo, te entendo, eu te amo muito, saudades, sinto sua falta”. Mas quando eu desejei ouvir estas palavras do fundo da minha alma, eu estava na pior, eu que estava sentindo sua falta, mas isso foi em tempos negros, quando você saiu da minha vida sem ao menos me dizer o motivo, chorei, gritei, odiei todo mundo que me dizia “isso vai passar com o tempo”. um ano depois de tantas lágrimas, quando eu já tinha certeza que você já era página virada, eis que você surge com essas frases que eu tanto quis ouvir…você revirando meu mundo novamente, me tirando dos eixos e todos me avisando o quanto você é perigoso, dizem que eu não posso abrir meu coração pra você, você vai me destruir, todos falam que você não me merece…sabe o que eu digo? que você ainda mexe com todos os meu sentidos…mas ainda assim, o medo, não me deixa responder suas mensagens, talvez eu não aguente, quando você resolver sair da minha vida novamente, pois não sou forte o bastante…